AVALIAÇÃO DO REFLEXO VESTÍBULO-OCULAR EM PACIENTES COM OTITE MÉDIA CRÔNICA.

Andrez Tomaz, Rafael da Costa Monsanto, Flávia Salvaterra Cusin, Ana Luisa Papi Asemodel, Norma de Oliveira Penido

Resumen


Introdução: A otite média crônica (OMC) é uma doença de elevada prevalência mundial, com a associação de diversas sequelas, que inclui perda auditiva e alterações na comunicação, processamento auditivo, desenvolvimento psicossocial e cognitivo. Recentemente, foi associada à presença de possíveis sequelas vestibulares. Objetivo: Determinar a incidência de anormalidades do reflexo vestíbulo ocular (RVO) em pacientes com OMC. Método: Estudo transversal, descritivo e analítico dos dados de pacientes diagnosticados com OMC unilateral ou bilateral. Os pacientes com diagnóstico de OMC foram categorizados em 3 grupos, de acordo com alterações em exame físico: (1) Perfuração crônica de membrana timpânica (PCMT) causada por otite média, com supuração infrequente; (2) Otite Média Crônica Supurativa (OMCS), definida pela presença de perfuração de membrana timpânica associada à supuração frequente ou intratável, sem colesteatoma; e (3) Otite Média Crônica Colesteatomatosa (OMCC), definida como a presença de colesteatoma em orelha média (com ou sem supuração frequente). Os pacientes com doença bilateral foram agrupados da seguinte forma: pelo menos uma orelha com colesteatoma - grupo colesteatoma; pelo menos uma orelha com OMCS, sem colesteatoma - grupo OMCS; ambas as orelhas tinham PCMT - grupos PCMT. Utilizando-se os mesmos critérios de inclusão e exclusão da seleção de pacientes com OMC, selecionamos voluntários sem história de doença otológica. Para avaliação da função dos CSCs e RVO, realizamos o vHIT. O equipamento utilizado (ICS Impulse; Otomerics; Taastrup, Dinamarca). A análise dos resultados considerou o ganho e a simetria do RVO para os impulsos cefálicos nas direções pertinentes à estimulação CSCs laterais e verticais e presença de sacadas cobertas (covert) e/ou descobertas (overt). Resultados: O grupo OMC incluiu um total de 98 pacientes que foram submetidos ao vHIT. Em relação ao tipo de OMC, 44 (44.9%) foram classificados como PCMT, 23 (23.4%) OMCS, e 31 (31.7%) OMCC; a idade média do grupo OMC era 42.9 anos. O grupo controle incluiu 49 voluntários, com idade média de 39.1 anos. Não houve diferença estatisticamente significativa entre a idade média dos grupos de OMC em comparação com o grupo controle (P>0.05). O vHIT não mostrou diferenças significativas no ganho ou simetria do RVO entre os grupos OMC (total e subgrupos) e controle (p> 0.05). Encontramos resultados anormais em 9 de 98 (9,1%) testes nos grupos OMC (2, unilateral; 7, bilateral). Os CSCs que produziram resultados anormais foram os posteriores em 4 pacientes e os laterais em 5. As sacadas observadas nos CSCs laterais foram classificadas como cobertas em 4 e descobertas em 2. Nenhum dos voluntários do grupo de controle apresentou resultados anormais de vHIT. Conclusão: Os resultados obtidos demonstram que não houve diferenças significativas entre os resultados do vHIT em pacientes com OMC em comparação com controles. Dentre possíveis hipóteses para a ausência de alterações no grupo OMC em comparação aos controles incluem (1) a possibilidade da sensibilidade do vHIT não ser suficiente para detecção de alterações crônicas e compensadas na função dos canais semicirculares; ou (2) que a função dos canais semicirculares não seja afetada significativamente pela presença de OMC.


III. Tópico
06 Impulso cefálico

 




DOI: http://dx.doi.org/10.14201/orl.20994

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